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13/04/2013 / kamiyaferows

Janela da alma

Janela da alma, como chamam, é o que procuro pulando de olhar em olhar.
As pessoas de hoje em dia mantém essas janelas bem fechadas. Sempre escondidas e a espreita, por uma frestinha ou outra deslizando olhares sem rumo até que encontrem outra pessoa a espreita; elas imediatamente recuam e se escondem então.

Posso contar nos dedos a última vez que tive um longo contato visual com alguém senão compadres meus, isso que mesmo com eles seria difícil manter um contato muito grande. Condiciono-me sempre a manter a encarada, seja contra quem for. Eu quero encontrar essas janelas, quero ver o que há dentro das pessoas. Sou curioso, apenas. Gosto de imaginar o que se passa na cabeça de quem me olha de volta… “Será que ele está afim de mim?” ou “O que esse pirralho está olhando?” até mesmo “Meu deus, será que estou com alguma sujeira no rosto??? Meu cabelo despenteou!?”. Obviamente acabo pensando o mesmo.

Finalmente encontrei um olhar rival. Alguém a altura de uma longa encarada sem compromissos. Um companheiro para essa aventura pela janela da alma… Apesar de não ser recíproca essa relação, acredito eu.
Não foi muito difícil para mim detecta-lo, afinal, seu olhar faminto corre o ambiente diversas vezes, rapidamente, sempre procurando algo! Meu deus, sempre na pressa, está sedento por seja lá o que quer encontrar!
Finalmente ele fixa seu olhar no meu.

Eu  VS bebê.

Detentor de um olhar extremamente puro, essa criança me olhava no fundo dos  meus olhos, no fundo da minha alma, na minha plena aura. Pergunto-me o que ele vê.
Um jovem imprudente. Talvez uma pessoa chata. Quem sabe ele consiga ver meu âmbito mais pessoal; minhas criações… Quem sabe ele veja a dama do sorriso carmesim dançando sua valsa eterna em minha mente. Talvez os brilhos dessa dama sejam exatamente o que chamam sua atenção.  Pode ser que ela tenha o ludibriado, seduzido, encantado!
Enquanto eu olho e apenas consigo me perguntar: O que ele vê?

Eu não vejo nada. Não há muito que ver num bebê.
Exceto, uma incrível pureza e inocência sincera no olhar.
Acredito que justamente essa seja a fonte de sua sede… O  que tanto procura? Por que me olha? Não caia no conto da moça de cartola então. Não tenho conteúdo que preste.
Anseio desviar o olhar. Não por vergonha de continuar olhando, como acontece com as pessoas em geral, mas por não me sentir digno destes olhos juvenis fixados contra os meus.
Talvez seja por isso que as pessoas mantêm suas janelas fechadas.

Ah, que agonia! Essa criança mal pisca, não consigo mais encara-lo.
Minha pergunta continua no ar, o que ela procura?
Quando olho novamente, ela está contemplando a paisagem à sua volta.
É algo muito legal de se ver, esse olhar infantil sendo preenchido por imagens que com certeza se distorcem em sua pequena mente em desenvolvimento para coisas totalmente abstratas, de proporções colossais, talvez assustadoras ou talvez num parque de diversões sem fim!
Pensando bem… Talvez ela não queira preencher seu vazio. Ela se gaba de nós, isso sim.
Ela é uma criança apenas, inocente demais para entender como somos podres. Ela abusa disso e se diverte com nossas essências.
Este pequeno olhar faminto…
Como seria bom se todos tivessem esse olhar.
Quem sabe as pessoas parassem de esconder a si mesmas e suas sujeiras e se preocupassem, ao invés disso, em se limpar.

———————————————————
Nós não olhamos, nós vivemos.
Não nos preocupamos, aproveitamos.
Exploramos um mundo inteiro novo.
Somos curiosos. Mas nos esquecemos a cada dia disso.
Nossos olhos vêem muito mais que os seus.
Aposto que não sabem mais brincar.
Pois bem, nós sabemos. Nós enxergamos tudo.
Nós procuramos pelo que vemos além do que você são capazes.
Queremos saber como continuar assim. Crianças.
Mas eventualmente em nossa busca, conhecemos demais o mundo.
O grande parque de diversões fica cinza.
As ideias começam a morrer.
Nossos olhos começam a se embassar.
Quando menos percebemos já somos grandes.
Outro motivo que nos faz estar sempre a procura.
Queria achar por uma janela de alguém que fosse capaz de segurar minha mão.
Seria capaz de proteger meu olhar.
Encontrei uma jovem ruiva encartolada uma vez dentro de uma janela.
Era visível que o rapaz da janela não queria que essa garota fosse vista.
Mas essa garota me levou por um carrosel em poucos segundos.
Ela não podia ser uma má pessoa.
Agora o rapaz que me proibia de vê-la… Acho duvidoso.
Eu podia ver que ele estava com pena de meu olhar indefeso.
Mas mal sabe ele, que é exatamente pelas pessoas esconderem suas auras…
Que todas acabam assim.
Presas no medo.
E nós acabamos conhecendo isso.
E nós acabamos ficando assim.
E nosso olhar faminto desiste de ser faminto. Simples assim.
Au revoir, infância.


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