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05/10/2012 / kamiyaferows

Uno, nessuno e centomila

“Se, para os outros, eu não era quele que, até agora, acreditara ser para mim, quem era eu?

Vivendo, nunca tinha pensado na forma do meu nariz, no corte, se pequeno ou grande, ou na cor dos meus olhos; na estreiteza ou na amplidão da minha testa, e assim por diante. Aquele era o meu nariz, aqueles eram os meus olhos, aqula a minha testa: coisas inseparáveis de mim, nas quais levado por meus negócios, tomado por minhas ideias, entregue a meus sentimentos, não podia pensar.

Mas agora pensava:

E os outros? Os outros não estão dentro de mim. Para os outros que olham de fora, minhas ideias, meus sentimentos possuem um nariz. Meu nariz. E possuem um par de olhos, que eu não vejo e eles veem. Que relação existe entre minhas ideias e meu nariz? Para mim, nenhuma. Eu que não penso com o nariz, nem me ocupo com o nariz, quando penso. Mas os outros? Os outros que não podem ver dentro de mim minhas ideias e veem de fora o meu nariz? Para os outros, as minhas ideias e o meu nariz têm tanta relação, que se aquelas, digamos, fossem muito sérias e este, por sua forma, muito esquisito, começariam a rir.”

PIRANDELLO, Luigi. Uno, nessuno e centomila. In: FABRIS, Annateresa. Identidades virtuais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004, p. 154.-

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