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03/08/2011 / chapelleiro

GO – Nick Farewell

Hi-ho, Traças dos livros. Passando a maré de preguicite volto eu com uma excelente dica de livro para você, jovem traça que não se contenta em apenas comer os gibizinhos da Turma da Mônica.

O celebre:
GO – de Nick Farewell

Sabe quando você olha para um livro na prateleira e ele olha pra você (e ainda da uma piscada… heh), e acontece aquele momento em que você não se contenta em deixá-lo ali e o adota? Sim, tudo parece meio afetivo, pois é esse sentimento que muitos leitores tem quando acabam pegando um livro que gostam (e foi esse o sentimento que tive quando comprei este livro). O mesmo pode se dizer de quem compra um jogo, um doce, ou mesmo um cd do rest… Não. Esse tipo de cd só serve como frisbee. (desculpe, mas é a verdade ‘-‘)


Comer, comer, comer…

Aviso: Esse post contem alguns spoilers e ônibus em chamas

Título: GO

Autor: Nick Farewell

Editora: Via Lettera

Número de Páginas: 219

O livro conta a história de Mr. Farenheit, DJ de discoteca na grande SP e em suas horas vagas busca concretizar seu livro. Livro que muitas vezes relaciona sua vida com a personagem, triste, como se tivesse um buraco em seu peito que precisava ser preenchido.
Num universo de total rock alternativo e muitas referências à escritores e compositores, você passa a conhecer a vida e a luta de Farenheit para tapar esse buraco.
Problemas com o pai, brigas, encontros e desencontros amorosos, filosofias over 8000… Tudo isso é narrado pelo próprio personagem, no melhor estilo Machado de Assis. (tá, é bem parecido)
Calma, não se assuste. Digo isso na forma receptiva que o personagem tem com você, leitor. (pode guardar seu dicionário)
A linguagem é atual, apesar de Farenheit não ser muito fã de gírias, é a tipica leitura que não se torna cansativa. Ao contrário de quando fui ler LOTR, incansavelmente lendo sobre cada grama que possuía 5 gotas de orvalho na manhã cinza de outono, destruindo assim a esperança do Balrog aparecer logo.

Mas essa, meus pequenos hobbits, é outra história, outro rolê. Por agora, deixo aqui um trecho do livro para o deleito dessas traças que acompanham o blog:

…………………………………………………………………………………………………………………………..
Encontro a Ginger na porta do cinema. Acho que estou condicionado a sorrir toda vez que a vejo. A minha boca reage instantaneamente. Ela está usando uma calça jeans e um top verse. Simples. E linda. Algo me diz que ela tem muito de Kubikova e vice-versa. A vida imita a arte, ou eu, simplesmente, copio. A garota dos meus sonhos existe e está vindo ao meu encontro. Se eu fosse cineasta, colocaria a câmera bem onde estou. Assim, eu a veria, em câmera subjetiva, descer a rua apressada entre passos alternados, a sua bolsa balançando, sua mão se agitando, harmoniosamente, e o exato momento em que leva a mão para jogar o cabelo por trás da orelha. Em seguida, ela me enxergaria, sorriria e apertaria ainda mais o passo. Só cortaria quando ela entrasse em close, exatos dois segundos antes de me beijar.

— Demorei?

— Posso pedir uma coisa?

— O quê?

— Você poderia ir até a esquina e descer a rua de novo?

— Por quê?

— Porque eu quero registrar isso.

— Onde? Como?

— Na minha memória.

Ela sorri. É um festival de sorrisos.

— Ok. Vou lá então.

— Não se esqueça que você está descendo pela primeira vez a rua – eu quase grito.

— Entendi – ela responde de costas.

Gui chega até a esquina. faz pose e desce a rua como se estivesse atuando. Eu ligo a minha câmera imaginária. Registro todos os movimentos. Penso em como vou me lembrar disso até o fim dos meus dias. Pensando em como a lembrança ainda é melhor que a máquina fotográfica. Agora, cinematograficamente, eu gravo frame por frame na minha memória, expondo a luz e meus sentimentos, e projeto na minha retina as imagens que voltarei sempre a enxergar toda vez que sentir um dia nublado entre a ausência e o encontro da pessoa que, possivelmente, vai causar mais falta e mais completude, ao mesmo tempo, na minha vida.
…………………………………………………………………………………………………………………………..
Um dos melhores livros (se não o melhor) que já tive a oportunidade de ler.

Fica ai a dica do Chapelleiro. *Voltando à cartola*

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3 Comments

Leave a Comment
  1. Aline Giselle / Feb 9 2012 11:50 pm

    sem duvidas um dos melhores livros que já lí.. parabéins você tem um otimo gosto!

  2. Cristiana Muniz / Jul 18 2013 9:07 pm

    queria poder ler esse livro novamente… que pena que não encontro aqui na Bahia.

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