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06/07/2011 / kamiyaferows

Filosofias de banheiro (1?)

SOMBRAS DA ETERNIDADE, PARTIDAS DA MENTE QUE ANSEIA VOAR

Filosofias do banheiro, perguntava ao rolo de papel branco ao meu lado e uma toalha de rosto pendurada para secar. O silêncio permanecia e as respostas continuavam de existência nula, como sempre eram. O de praxe para o de costume.

“Ó toalha, por que me deixas aqui nessa fria e amarga dúvida? (…) É, eu sei… conversar com uma toalha estúpida sobre pensamentos estúpidos de nada adianta.”

Tic tac, clocke locke, o passar do tempo imaginário em uma mente presa por ilusões que se limitavam às paredes de azulejo do tom gelado e sensação azul-claro. Os pensamentos saiam pelos meus olhos, rebatiam no espaço que não havia ali e imediatamente voltavam em mim ecoando de forma solitária; mais um de meus devaneios.

Imaginava dessa vez, de mãos dadas com minha querida namorada – que ouso dizer que a amo mesmo sabendo que ainda hei de deixar de ama-la, que um dia será fato e não cabe a mim torcer o nariz – andando pelas estradas com a imortalidade pendurada em nossos pescoços. Os segredos que a humanidade tem espalhados por toda extensão de todo um infinito limitado por terras de poeiras e guerras, estariam em nossas mãos, junto com o sofrimento de usar aquele colar. As brigas de casal já teriam começado há muito tempo e o desejo de morte, agora inalcançável, batia em nossos rostos todos os dias… Apesar de não nos suportarmos mais, éramos os dois únicos a se entenderem. Não ousávamos gostar de outras pessoas, elas morriam e nós continuávamos andando.

Essa é a visão realista de um futuro fantasioso o qual imaginei enquanto preso naquele local cúbico e frio. Ou melhor, uma pitada de realismo em meio a um devaneio dum desejo, um futuro que residia nos mais mórbido de meus sonhos. Desejava essa cadeia de fatos na verdade apenas para ter a chance de zombar do destino; ao invés de se esvair o amor, por entre os dedos reunir pedaços quebrados de um laço criado e reforça-lo de modo a nunca mais romper. Esse sim era meu verdadeiro desejo, naquela eternidade agonizante passar com um sorriso no rosto ao lado de minha amada.

Pergunto-me então o que seria o tempo? Novamente, apesar de ser a mesma resposta de antes, agora seria mais superficial. De nada importaria. Nem mesmo o fato de importar importaria, ou de não importar não importaria. Não necessariamente nessa ordem. Mas ainda sim, um sorriso sem motivo e idiota permaneceria em meu rosto. Novamente afirmo, esse sim era meu desejo. Acima disso, tinha uma ambição que realmente é algo que está acima de mim, creio eu, mas não desistiria de perseguir tal objetivo.

Nos vãos da eternidade e tristeza, sem mais motivos de nada fazer, querer ou tentar, ela estaria jogada ao pó chorando lágrimas petrificadas de tanto tempo ali em pé, enquanto estaria murmurando “Por que algum dia você trouxe isso para nós?” onde gostaria de responder “Agora teremos nosso felizes para sempre”, e com a mesma  falta de interesse com a qual teria proferido tais palavras, ela deixaria de chorar e continuaria caminhando.

Novamente um sol nasceria e ela poderia sorrir de novo, lembrar-se das épocas mortais onde o sol ainda aquecia nossos corpos e roubar um beijo que fingiria ser inesperado. Uma alegria falsa em uma vida falsa. Iríamos perceber, algo que a muito tempo teria se perdido, após um infinito e meio de passos ao rumo sem destino. Chegaríamos finalmente em um ponto decisivo de nossa caminhada. As conclusões que; mesmo que sofrêssemos, chorássemos, ríssemos, ou o que fosse, até mesmo a única coisa que dentre tacs e lockes podia se ouvir ao fundo e ainda contava algo, apenas uma coisa nos teria levado ali e nos mantinha. Nós nos amávamos. Até mesmo a felicidade já havia sido esquecida nesse ponto, apenas uma personificação do amor, com o carinho de corpos inanimados e gélidos do sangue ressecado permanecera em pé como os dois cadáveres que éramos. Mas era finalmente algo que unicamente importava. Isso é o que era o ser. Nas cores Azul e Roxa escorria pelo chão; amor verdadeiro.

Acho que o frio disso estava apenas nos azulejos… a viagem foi comprida e curta, sem fundamentos ou coisas interessantes para se entreter. Mas encerrar por aqui é mais que sábio e além do chato já.

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